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Por que apertar demais danifica parafusos, roscas e a própria fixação

Força demais no aperto costuma encurtar a vida da fixação em vez de protegê-la.

Em obras, manutenções e montagens industriais, ainda é comum a ideia de que “apertar bem forte” é sinônimo de segurança. Quanto maior o esforço aplicado, mais confiável seria a fixação. Na prática, essa lógica produz o efeito oposto. O aperto excessivo está entre as principais causas de falhas prematuras em parafusos e roscas, mesmo quando os componentes são adequados para a aplicação.

O problema não aparece no momento da montagem. O parafuso entra, o conjunto parece firme e o trabalho segue. As consequências surgem depois, na forma de afrouxamento inesperado, rosca danificada, dificuldade de reaperto ou quebra do fixador.

Torque não é força bruta

Toda fixação parafusada trabalha com um conceito fundamental: a pré-carga. Ao apertar o parafuso dentro do torque recomendado, cria-se uma tensão controlada que mantém as peças unidas por atrito. Esse equilíbrio garante estabilidade e absorção adequada das cargas de trabalho.

Quando o torque ultrapassa o limite especificado, esse equilíbrio se rompe. Em vez de aumentar a segurança, o excesso de aperto força o material além da faixa elástica, entrando na região de deformação permanente. A partir desse ponto, a fixação começa a perder desempenho, mesmo que não haja sinais visíveis imediatos.

O que acontece com o parafuso no aperto excessivo

Mecanicamente, o parafuso foi projetado para trabalhar sob tração controlada. Ao ultrapassar o torque recomendado, o corpo do parafuso sofre alongamento excessivo. Inicialmente, esse alongamento pode parecer irrelevante, mas ele altera a distribuição de tensões internas.

Com o tempo, o material entra em escoamento. O parafuso perde a capacidade de manter a pré-carga original, tornando-se mais suscetível a vibrações e ciclos de carga. Em situações mais críticas, surgem microtrincas que evoluem para ruptura.

Outro efeito comum é a dificuldade de reaperto. O parafuso já deformado não responde mais corretamente a um novo torque, comprometendo qualquer manutenção futura.

Danos à rosca interna são frequentes

O aperto excessivo não afeta apenas o parafuso. A rosca interna — seja em porcas, buchas ou componentes roscados — também sofre. O excesso de carga pode esmagar filetes de rosca, reduzir a área efetiva de contato e provocar desgaste acelerado.

Em materiais mais macios, como alumínio ou alguns tipos de aço de baixa resistência, esse dano ocorre rapidamente. O conjunto até permanece montado, mas com rosca fragilizada. Na próxima intervenção, o risco de espanamento aumenta de forma significativa.

Esse tipo de falha costuma gerar retrabalho imediato, troca de componentes e, em alguns casos, a necessidade de soluções improvisadas para recuperar a fixação.

Perda de pré-carga e afrouxamento precoce

Um dos efeitos menos intuitivos do torque excessivo é a perda de pré-carga ao longo do tempo. Ao deformar o parafuso além do ponto ideal, a fixação passa a “relaxar” mais rapidamente.

Com a acomodação dos materiais e a ação de vibrações, a força que mantém as peças unidas diminui. O resultado é justamente aquilo que se tentou evitar: afrouxamento progressivo e instabilidade do conjunto.

Em montagens industriais, esse cenário gera paradas não planejadas, inspeções frequentes e manutenção corretiva muito antes do previsto.

Situações reais que levam ao excesso de aperto

O aperto excessivo raramente é intencional. Ele surge de práticas comuns no dia a dia. Uma delas é o chamado “aperto no braço”, quando o operador confia apenas na própria percepção de força, sem qualquer controle de torque.

O uso de ferramentas inadequadas também contribui. Chaves longas demais, ferramentas pneumáticas sem regulagem ou equipamentos desgastados facilitam a aplicação de torque além do necessário.

A pressa na montagem é outro fator recorrente. Em ambientes com cronograma apertado, o cuidado com o aperto correto costuma ser deixado de lado, abrindo espaço para erros que só aparecem depois.

Custos ocultos do torque incorreto

Embora o excesso de aperto pareça garantir segurança imediata, ele gera custos ao longo do tempo. Fixações que falham precocemente exigem manutenção corretiva, substituição de componentes e, muitas vezes, parada de equipamentos.

Além disso, o desgaste antecipado das roscas reduz a vida útil de conjuntos que poderiam funcionar por anos sem intervenção. O impacto financeiro não está apenas no fixador, mas no tempo perdido, na mão de obra e nos riscos operacionais associados.

Orientação técnica desde o início evita falhas

Evitar o aperto excessivo começa na especificação correta. Escolher o parafuso adequado, definir o torque correto e utilizar ferramentas apropriadas fazem parte de uma abordagem técnica madura da fixação.

Mais do que apertar forte, o objetivo é apertar certo. Isso garante desempenho consistente, facilita manutenções futuras e aumenta a confiabilidade da montagem ao longo do tempo.

Nesse contexto, contar com apoio especializado faz diferença. A Maxifuso atua no mercado de fixação com foco em orientação técnica e soluções adequadas para cada aplicação, ajudando clientes a escolherem componentes compatíveis com o projeto e o método de montagem.

Além de um amplo portfólio de parafusos e acessórios, a Maxifuso trabalha com atendimento consultivo, reduzindo erros de especificação e práticas que comprometem a vida útil das fixações.

Para conhecer os produtos, soluções e projetos especiais em fixação, acesse www.maxifuso.com.br e entenda como decisões técnicas corretas desde o início evitam falhas, retrabalho e custos desnecessários ao longo do tempo.
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